Referi-me em texto anterior — O que nos aproxima e motiva — ao chamado “método Paulo Freire”, propondo que ele venha a ser utilizado como ferramenta de transformação da educação formal ampla, tornando-a mais atraente e frutífera no sentido da valorização das competências intuitivas de nossa espécie. Dentre essas competências, destaco a de percebermos, por caminhos lúdicos e compartilhados, a essência geométrica/matemática de uma partida de futebol.
Paulo Freire foi um filósofo e educador brasileiro, natural de Recife, PE, falecido em 1997, considerado um dos mais notáveis pensadores na história da Pedagogia. Lê-se na Wikipedia: “acreditando que todos os homens têm por vocação o ser mais (e não o ser menos), buscava que eles fossem sujeitos de suas ações, atingissem sua plena realização e fossem capazes de transformar o mundo. Em seu principal livro, ‘Pedagogia do Oprimido’, defendeu o diálogo com as pessoas simples, e não a imposição de ideias preconcebidas sobre elas. Trata-se do terceiro livro mais citado em trabalhos acadêmicos de ciências sociais em todo o mundo”.
Pois bem, o que significa utilizar o “método Paulo Freire” como ferramenta da educação formal ampla, tornando-a mais atraente e frutífera no sentido da valorização das competências intuitivas de nossa espécie?
Assim como Freire nos ensinou que o processo de alfabetização se torna mais prazeroso e eficaz quando parte do universo vocabular dos alunos e de suas próprias experiências, da mesma forma entendo que a melhor maneira de motivar o ser humano a compreender sua real inserção no Cosmos — isto é, seu pertencimento ao Todo — é demonstrar, a partir das vivências cotidianas de cada um, o valor de sua humanidade.
Diz-se que, tanto quanto o atendimento das necessidades fisiológicas, cada pessoa busca o reconhecimento de suas competências mentais; e que se essas necessidades (a física e a mental) foram atendidas, o resultado estará mais perto da completude emocional do indivíduo (o que alguns chamam de felicidade), do que de sua imperfeição.
A estrutura de recompensa emocional vigente, desde sempre, tem sido a de valorizar as pessoas pelos conhecimentos que elas formalmente adquirem, prática que eterniza um modelo existencial excludente, pois premia as beneficiadas por fatores que não lhes são intrínsecos (herança genética, nacionalidade, origem social, personalidade etc.), abandonando à própria sorte as não contempladas pelo acaso, e que são a maioria.
Ocorre que essa maioria, como sabemos, são seres humanos iguais, em essência, a todos que habitam a casca deste planeta. E nessa condição potencialmente possuem as mesmas competências cognitivas que os demais — são capazes, por exemplo, de geometrizar/matematizar uma partida de futebol, e com isso se emocionarem.
O que nos falta como sociedade (talvez) é conhecer, ressaltar, desenvolver e expandir as intuitivas competências do conjunto dos indivíduos de nossa espécie. Somos mais do que isso que está aí.