Da mesma forma que — como observou alguém falando da opressão imposta pela grandeza de New York aos seus visitantes, ensinando que para capturar e se apropriar do espírito da metrópole era preciso olhá-la de seu ponto mais elevado —, para internalizar nosso pertencimento ao Cosmos é igualmente necessário que observemos a Terra do ponto mais distante que nos for possível.
Isto, quase por milagre, nos foi proporcionado em 1990, conforme mencionei em texto anterior — “Tributo a Sagan” —, mas pode ser revisto e compreendido aqui: “Pálido Ponto Azul”.
O que nossa espécie precisava para alçar um novo patamar cognitivo — e a partir dele iniciarmos nossa jornada de amadurecimento mental e espiritual — era de um evento dessa magnitude e força de convencimento. Pois há 35 anos o temos. É urgente reconhecer seu valor e utilidade.
Alguns dizem que a disposição de nos voltarmos para o Cosmos só ocorrerá após imenso cataclismo, seja ele provocado por nós (pandemias geradas por desequilíbrio ecológico, desastres ambientais produzidos pela crise climática, histeria planetária decorrente de entropia comunicacional, guerra nuclear…), ou proveniente do espaço (choque de um grande meteoro, tempestade solar…). Mas, a partir dessa experiência que Sagan nos proporcionou, não precisa ser assim.
Penso, como tantos outros, que se aquelas imagens (e seu significado) forem mostradas, analisadas e contextualizadas para crianças, adolescentes e jovens, ao longo do processo educacional e com a profundidade adequada a cada faixa de idade, algum impacto humanístico relevante haveremos de alcançar.
Se nossa sina é “vivermos imersos nessa quase maldição de pensar em saídas, sem vislumbrar luz; conscientes de que tal circunstância, em si mesma, é uma daquelas necessidades básicas que nos estão determinadas” — ou seja, das quais não podemos declinar —, que abracemos conscientemente esta inevitabilidade existencial.
A luta não continua. A luta é agora!
Ela deve se dar primeiro em nossas mentes; impor-se à nossa vontade cotidiana e mundana, de sol a sol; sem que percamos da vista e da vontade o imperativo categórico ético anunciando por Immanuel Kant (1724-1804), que define uma ação como correta se a sua máxima (o princípio por trás da ação) puder ser universalizada, ou seja, se puder ser aplicada como uma lei a todos os seres racionais sem contradição.
Temos já bastante poder de discernimento para pôr em prática o processo de resgate da espécie humana. Ele começa pelo autoconvencimento da essencialidade de nossa conciliação com o Cosmos.
Esta jornada terá início com o primeiro passo. Sua disseminação para segmentos mais amplos da sociedade se dará de forma estruturada, orgânica e pacífica, em oposição à demência a que estamos submetidos neste exato instante da História.
Esta é a nossa ‘reação igual e oposta’; nossa aplicação racional e possível da 3ª lei de Isaac Newton (1643-1727).
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.