O prosseguimento de nossa existência depende da superação dos desafios impostos a este ser imperfeito e finito, nos três planos em que a luta se desenvolve: físico, mental, espiritual.
Esta é a nossa condição incontornável e o nosso único caminho: lutar em prol da preservação do corpo, do equilíbrio da mente, de nossa conciliação com o cosmos. Não deveria haver um ordenamento nessas 'frentes de batalha’, mas é assim que está posto e só nos cabe ‘combater’.
Primeiramente, é preciso destacar que viver nos cobra compromisso intransferível com as experiências proporcionadas pelos nossos sentidos. O mundo conforme o entendemos é fruto do modo como o vemos, ouvimos, cheiramos, saboreamos e sentimos, embora essas vivências não sejam suficientes para nos elevar acima e além dos condicionamentos primários (estes que também garantem a existência reativa de outras espécies). Falta-nos a intuição.
Há de se reconhecer que no plano físico algum sucesso alcançamos. Hoje vivemos mais; muitas doenças estão sob controle; e temos meios para saciar a fome de todos que habitam a casca deste planeta (só não o fazemos porque o egoísmo nos impede).
No plano mental, porém, continuamos distantes da maturidade; não por falta de percepção das fraquezas que nos dominam — nós as conhecemos! —, mas porque ainda não fomos capazes de mapear e neutralizar as motivações e os gatilhos que nos mantêm emocionalmente rebaixados (o egoísmo apontado acima, por exemplo).
O fato de nos inconformarmos com o que somos (imperfeitos e finitos), e por isso vivermos em estado de permanente angústia, ainda que sufocada, resulta de ainda não termos alcançado a conciliação no plano espiritual. Este talvez seja o maior dos nossos desafios, porque, uma vez enfrentado, produzirá benéficos efeitos sobre os planos físico e mental. Mas, reafirmo o que tenho dito (e tantos outros dizem): formular e praticar religiões não foi e não será uma opção; constatar e aceitar isso tem sido um longo, lento, e doloroso processo.
As dores e os prazeres decorrentes da luta nesses três planos, tendo o físico como predominante, constituem perdas e ganhos essencialmente nossos, individuais. Ainda que a ideia de livre arbítrio seja um equívoco, pois somos determinados por sucessivos e interconectados fatores sobre os quais não detemos qualquer poder (combinação genética, origem geográfica, meio social, condição familiar etc.), as escolhas que a cada instante fazemos são exclusivamente nossas. E são nossas porque não são outros que as praticam, mas nós mesmos, seus agentes — quer resultem em flores ou espinhos. É simples assim!
Quanto menos negarmos que a vida é luta; quanto menos rejeitarmos nossas responsabilidades no protagonismo dessa luta; quanto menos ignorarmos as relações de causa e efeito decorrentes das ações que protagonizamos; quanto menos nos distrairmos perseguindo crenças, esperanças, quimeras fugazes; quanto menos nos perdermos entre o que nossos sentidos oferecem e o que desejamos que eles nos proporcionem, mais municiaremos a intuição a nos oferecer novos entendimentos sobre nossa existência. E com mais harmonia avançaremos nos três planos de luta.
Avançaremos para melhor?
Essa é a questão sem resposta. Primeiro é necessário definir o que compreendemos por "melhor".
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.