Ouvi nesses dias de um iraniano (Nima R. Alkhorshid), em conversa com um norte-americano (Larry C. Johnson) — Dialogue Works —, analistas de geopolítica, estimulante reflexão sobre o valor do nacionalismo. Ambos concordaram nos seguintes termos:
Nima: “Se você se ama, então é capaz de amar outras pessoas também. E de certa forma, o nacionalismo remete a esse conceito. Se você ama o seu país, consegue entender que outras pessoas também amam o país delas. É por isso que você pode encontrar um terreno comum para trabalhar com outras pessoas, ao invés de tratá-las como diferentes. Sim, elas são diferentes porque são brasileiras, norte-americanas, mas no fim das contas todos são seres humanos, que podem se unir, trabalhar juntos, encontrar um terreno comum para atuar. Mas antes de amar a si mesmo e ao seu país, você não é capaz de dar amor ou amar qualquer outra nação, qualquer outro povo”.
Larry: “Você já conheceu alguém que realmente se odiava e por causa desse auto ódio se envolvia em todo tipo de comportamento autodestrutivo. Os mesmos princípios, eu diria, se aplicam aos países. Então, quando você realmente coloca a si em primeiro lugar, parece egoísmo, mas quando você lida com outro país que também está se colocando em primeiro lugar, é aí que entra a arte da diplomacia. Você descobre no que podemos concordar, o que podemos fazer juntos que vai melhorar a situação de ambos. Porque o mundo não foi construído para ser apenas um jogo de soma zero, onde eu ganho e você tem de perder. E é isso que estamos enfrentando agora”.
Nima, que vive no Brasil, e Larry, nos EUA, traduzem nesse diálogo um aspecto daquilo que tentei expor no texto Destinados a ser. Os dois partem da aceitação fundamental de que, tendo nascido aqui, ali ou acolá, todos somos seres humanos, pertencemos à mesma espécie, habitamos o mesmo planeta.
Mas a conversa traz outra oportuna constatação: o fato de estar disponibilizada na internet, ao alcance de milhões de pessoas, contando inclusive com tradução em áudio realizada com recursos de Inteligência Artificial (IA).
Este é, sem dúvida, o maior valor que a comunicação global nos tem proporcionado — a oportunidade de democratizar o acesso a questões fundamentais da existência, numa demonstração de que tais assuntos não se destinam a ambientes fechados, nem a ouvidos privilegiados. Se bem explicados, todos podem entender.
Por isso, o lado sombrio e destrutivo da internet, tanto quanto o potencial disruptivo da IA, não podem servir de argumento para condená-las. Temos de dialogar a fim de desenvolver meios e modos de assumirmos o controle social sobre o uso desses recursos, pois seus potenciais são imensos. Nesse diálogo, a principal pergunta a ser feita é: O quê nos motiva a desenvolver essas tecnologias? Não vale a resposta “poder e riqueza”.
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.