Meu dever, quanto ao conteúdo deste blog e de meus livros — que, espero, alcancem pessoas inclinadas a fazer o melhor e o mais justo para seus/nossos semelhantes e o planeta —, meu dever, repito, é estar atento a imprecisões e incongruências, em busca de dirimir contradições e corrigir caminhos.
Não tenho compromisso com erros, até porque muitos deles resultam de equívocos, incompreensões ou desconhecimentos. Estou portanto sempre disposto a rever ideias que externo nesses textos, desde que elas não contradigam o que para mim é essencial ao ser humano de hoje e de sempre — esta é a minha missão, como a de tantos outros.
Recebo críticas, às vezes, sobre as teses (essenciais) que exponho aqui, exaustivamente, e em meus livros, relativas à necessidade de ‘compreendermos nosso pertencimento terreno e inserção cósmica’; e de ‘conhecermos e administrarmos nossos medos’. Em alguns casos são observações contundentes, que apontam falhas em datas e citações, exposições sem linearidade, falta de embasamento teórico e, principalmente, ausência de soluções estruturadas para os problemas apontados.
Concordo com quase todas essas críticas.
Sobre os erros factuais, sem dúvida, porque eles nunca se justificam. Quanto à falta de linearidade discursiva também concordo, pois, embora entenda isso como um recurso, costumo associar assuntos díspares, buscando encontrar analogias que alguns possam ter dificuldade para enxergar. Sobre ausência de embasamento teórico, ouso discordar. E quanto à falta de soluções objetivas para superar os problemas existenciais que minhas teses apontam, neste caso concordo totalmente.
Começo perguntando:
A qual embasamento teórico eu poderia recorrer, se o que defendo decorre exatamente da inexistência de reflexões acadêmicas estruturadas a respeito daquelas teses essenciais? Em quais autores eu deveria buscar validação, se minhas teses demandam multidisciplinaridade de conhecimentos, e até hoje não encontrei — além de, por exemplo, o sempre citado Pietro Ubaldi — quem realizasse uma costura convincente entre tantos saberes?
O fato de eu não dominar nenhum desses compartimentos científicos, mas apenas intuir relações — aproveitando a habilidade mental que a condição do jornalista me proporcionou, ou seja, a de um indivíduo treinado a duvidar e perguntar —, retiraria de mim o direito, e o dever, de refletir e propor?
Pode ser que muitos entendam assim, em particular os autoproclamados intelectuais acadêmicos, ou orgânicos. A esses e àqueles tenho a dizer que não me importa o que pensam sobre o que aqui exponho e defendo, ou sobre os livros que já publiquei (exceto quanto a erros factuais e falhas de revisão cometidas por este indivíduo que formula hipóteses, pesquisa, escreve, revisa e edita sozinho todos os seus trabalhos, sem pedir nem querer a ajuda de quem não pode remunerar).
Lembro a esses, e àqueles críticos, que tudo o que eles sabem, absolutamente tudo, não possui originalidade nem ineditismo; sequer provém exclusivamente de suas mentes, mas resulta do acúmulo de conhecimentos processados pela cognição da espécie humana.
A cognição, sim, compreendida como uma entidade que se manifesta no indivíduo orgânico que o acaso cósmico fez despertar neste planeta. E porque esses conhecimentos não são originais, nem inéditos, e a todos pertencem, não carecem de citações ou referenciamentos bibliográficos para serem válidos. O que lhes confere valor é a velha prova dos nove. Nada devo/devemos a ninguém. Nenhum pensamento, nenhuma ideia, nenhuma informação tem dono e endereço. Nenhuma reflexão carece ser legitimada por terceiros, se não se submeter à lógica e ao bom-senso.
Quanto à derradeira crítica — falta de soluções objetivas para os problemas apontados —, neste caso admito, com certo orgulho, que não tenho mesmo receitas acabadas, definidas e definitivas para nada. Desde que me entendo por gente, lá pelo começo de minha adolescência, talvez um pouco antes, em Manaus-AM, tenho me dedicado a observar a mim mesmo, as pessoas que me cercam e as nossas relações com os fatos da vida e do mundo. Não me vanglorio disso, acredite, porque é um exercício de frustração e resiliência, dado que vivemos num mundo de aparências e tudo temos de conciliar com a luta cotidiana por nosso prosseguimento como indivíduos e espécie.
Se uma coisa aprendi nesse processo é que nada de verdadeiramente útil e duradouro foi ou será construído sem o envolvimento total e completo dos interessados. Não sei como tornar clara e acessível a espiritualidade que defendo, que compreende nosso pertencimento terreno e inserção cósmica; não sei como administrar os medos primordiais que nos dominam, e definem os nossos atos e a sociedade que temos. Mas sei, porque está evidente, que a caminhada civilizatória da espécie humana precisa preencher essas lacunas para avançar de forma estruturada e construtiva.
Lacunas que neste exato momento se evidenciam aos olhos e sentimentos das pessoas mais simples e simplórias, exatamente aquelas que meus escritos nunca foram capazes de alcançar.
Quero dizer com isto que neste 4 de Outubro de 2026 se definirá o futuro não apenas do Brasil, mas, acredite, também da América Latina, do Hemisfério Ocidental e do nosso planeta. Se as forças de extrema direita se impuserem em nosso país, não tenhamos dúvida de que o sofrimento geral se aprofundará e prolongará mundo afora, pois nosso povo, pela tolerância proporcionada por sua ampla miscigenação de raças, é o único capaz de liderar o caminho rumo ao que nos é essencial como espécie: a conquista da maturidade.
Essa minha compreensão deriva do que aprendi de grandes homens, como Pietro Ubaldi, Stefan Zweig, João Itagiba e Cid Marcus, por exemplo. Neles nunca busquei validação, mas esclarecimento.
arquivo.Mello
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.
4 de Outubro de 2026
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