Qual a Palavra?

No dia 22 de junho de 1633, a Santa Inquisição (ou Tribunal do Santo Ofício), criada pela Igreja Católica Apostólica Romana, na Idade Média, para investigar, julgar e punir pessoas por crenças ou práticas contrárias aos dogmas cristãos, isto é, heresia, determinou ao astrônomo Galileu Galilei que renegasse publicamente sua teoria heliocentrista (de que a Terra se movia ao redor do Sol, o centro de um sistema de planetas), sob pena de ser condenado à morte. Para a Igreja, a Terra era o centro de tudo.

Galilei, que, irônicamente, integrava desde sua criação, em 1603, a Pontificia Academia Scientiarum/Pontifícia Academia das Ciências — destinada a promover o progresso das ciências matemáticas, físicas e naturais, e o estudo dos problemas epistemológicos e éticos a elas relacionados —, ao ouvir sua sentença teria sussurrado: “E, no entanto, ela se move” (“Eppur si muove”).

Foram necessários 359 anos, mais de três séculos, para, em 31 de outubro de 1992, Galilei ser oficialmente reabilitado pelo Papa João Paulo II, numa inversão total de valores, pois não se tratava de uma reabilitação, mas do reconhecimento de que a Igreja havia se submetido a um ridículo histórico.

Este é o modus operandi da Igreja Católica Apostólica Romana — essa instituição que arrebata os corações e mentes de 1,422 bilhão de indivíduos no planeta —, quando confrontada com questões científicas capazes de abalar seus alicerces. Pois nesta exata altura do nosso processo civilizatório, primeiras décadas do séc. XXI, sinto informar que o catolicismo se depara com mais um momento Galileu Galilei. Nesse caso, não haverá a quem condenar. Sim, porque não se pode penalizar por heresia o zeitgeist, o espírito do tempo.

É neste contexto histórico que menciono aqui uma tese — não sei se outros já o fizeram —, proveniente dos recônditos de minha ignorância: o catolicismo, professado por 17,8% da população global, está se desfazendo no ar, à vista de todos, como talvez dissesse o grande pensador polonês Zygmunt Bauman. O motivo é, mais uma vez, sua recusa em aceitar o óbvio científico: a representação antropomórfica do mistério, aquela sobre a qual a Igreja erigiu seus dogmas, não mais se sustenta vis a vis o que já se conhece sobre a espiritualidade vinculada a forças e energias universais.

Para conquistar sobrevida, ou um neorenascimento, o catolicismo teria de promover a conciliação entre o mistério antropomorfista — atribuição de formas, sentimentos, comportamentos e características humanas a forças espirituais, ou ao próprio conceito de divino, sediado no princípio do Deus Trino (Pai, Filho, Espírito Santo) — e a espiritualidade decorrente do pertencimento terreno e inserção cósmica de nossa espécie. Ocorre que a Igreja Católica, desde sempre, tem demonstrado insegurança frente ao conhecimento (a capacidade humana de entender, apreender e compreender por meio da experiência, do raciocínio ou do estudo), embora faça questão de tê-lo ao seu lado, sob vigilância.

Essa insegurança a tem impedido de atuar com presteza e eficácia em questões essenciais ao nosso tempo, pois sua prática transfere a resolução das demandas terrenas aos desígnios divinos, arbitrados por uma Santíssima Trindade de difícil aceitação, cujo hermetismo se presta apenas como justificativa à impotência resolutiva da própria Igreja.

Agora mesmo estamos diante de um desafio crucial para a continuidade da espécie humana como a conhecemos: o avanço desregulado da Inteligência Artificial. Compreender e dominar a lógica matemática que sustenta os algoritmos e seus códigos capacitaria a Igreja a contribuir, decisivamente, para antecipar os movimentos disruptivos da IA, sem necessariamente interditá-la, pois o que essas tecnologias demandam não é seu banimento, mas regras estritas que as façam se submeter e servir exclusivamente ao interesse do homem. E não apenas compreender 
 também é imperativo que a Igreja se engaje no debate social sobre a questão.  

Entendo as dificuldades disso, enxergo o impasse existencial em que o catolicismo se enfiou, ao longo de mais de dois milênios. Sei que um ajuste de rumo não virá espontaneamente — não no tempo de minha existência, ou nunca. E, no entanto, o que observo é o zeitgeist, a consciência do planeta, essa que decorre de nossa evolutiva e compartilhada cognição, cada vez menos submetida a dogmas e cada vez mais disposta a realizar silenciosos saltos de entendimento, ao perceber e se posicionar diante das contradições presentes na(s) religião(ões) institucionalizada(s).

É nesse sentido que, enquanto aplaudo a iniciativa da Encíclica Magnifica Humanitas/Humanidade Magnífica, relativa à Inteligência Artificial, também me incomodo com sua abordagem pouco prática — apenas identificar e repreender os produtores de distopias tecnológicas não basta para enfrentar o problema; muito menos para mobilizar o clero e ainda menos o seu rebanho. Nesse contexto me ocorre a pergunta “Quantas divisões tem o Papa?”, famosa ironia atribuída ao líder soviético Josef Stalin, em desdém pela inexistente capacidade militar da Igreja. Ouso responder: a Igreja Católica possui, sim, grande força. Não a bélica, destrutiva, mas a persuasiva, construtora. Ela só precisa ser acionada, com método e eficácia.

Agraciada por tantos momentos de exemplares convergências do sagrado com o secular — a edição da Encíclica Rerum Novarum/Coisas Novas, de Leão XIII, em 1891, por exemplo, que refletiu sobre a sociedade, a economia, a política, e resultou na revolucionária “Doutrina social da Igreja” —; agraciada por essa e outras precisas percepções e ações, mas igualmente condenada por inúmeros pecados capitais perpetrados ao longo da sua existência (perseguição e assassinato daqueles que se opunham a seus dogmas, apoio à exploração colonialista, condescendência com a escravização dos povos originários do Novo Continente e dos povos negros arrancados da África), me pergunto por que as lideranças católicas de hoje, tendo aprendido tanto com as boas e as más ações que produziram, ainda não foram capazes de mobilizar suas forças vitais contra o Mal que já está entre nós. Seus fiéis aguardam a Palavra, e a Palavra tem poder, diz a Bíblia. Talvez por aí se abra um caminho de conciliação entre o mistério antropomórfico e a espiritualidade cósmica. Quem sabe?

Abaixo, seguem passagens recolhidas dessa última Carta Solene publicada por Leão XIV, versando sobre Inteligência Artificial — Encíclica Magnifica Humanitas, disponível em vários idiomas, com opção de baixar o PDF. Perceba que, embora o diagnóstico esteja correto, falta-lhe o principal: uma clara definição de intenção e de como a Igreja promoverá o esclarecimento — ou a catequese, se assim preferirmos; de como enfrentará o dilema que transita entre as oportunidades e os riscos da IA para os destinos do Homem. Assim como apontei na postagem de 29 de agosto, a propósito das avaliações de Bill Gates sobre o mesmo tema, não basta diagnosticar e alertar; é preciso agir conforme os recursos e os meios de cada qual.

...

[“A técnica não deve ser considerada, em si mesma, como uma força antagônica em relação à pessoa: pelo contrário, está enraizada na nossa história desde o início, na medida em que é «um dado profundamente humano, ligado à autonomia e à liberdade do homem» (conforme Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, de 29 de junho de 2009).

“Ao longo dos séculos, o desenvolvimento tecnológico contribuiu para uma melhoria significativa das condições de vida da humanidade; ao mesmo tempo, cada fase do progresso também revelou o lado ambíguo de instrumentos que, quando não orientados para o bem, são capazes de causar danos. Hoje, no entanto, estamos diante de uma situação nova, em que o poder e a disseminação das tecnologias emergentes se inserem no curso da vida quotidiana, moldam os processos de decisão e incidem profundamente no imaginário coletivo: «Nunca a humanidade teve tanto poder sobre si mesma» (conforme Francisco, Carta enc. Laudato si’ , de 24 de maio de 2015).


“As novas tecnologias abrem um horizonte alargado em direções que, embora imagináveis, não podemos ainda antever plenamente. Isto torna mais complexo avaliar o seu impacto, bem como os efeitos a longo prazo sobre a dignidade das pessoas e o bem comum.


“Cabe-nos agora enfrentar, com lucidez e responsabilidade, os desafios do nosso tempo. É necessário adotar instrumentos normativos adequados, capazes de salvaguardar a justiça e de conter os efeitos nocivos do poder tecnológico. Mas a questão não se esgota na regulamentação. Como alertou o Papa Francisco, devemos perguntar-nos com realismo quem detém hoje este poder e para que fins o orienta: «Não podemos, porém, ignorar que a energia nuclear, a biotecnologia, a informática, o conhecimento do nosso próprio DNA e outras potencialidades que adquirimos […] dão, àqueles que detêm o conhecimento e sobretudo o poder econômico para o desfrutar, um domínio impressionante sobre o conjunto do gênero humano e do mundo inteiro» (conforme Francisco, Carta enc. Laudato si’, em 24 de maio de 2015).


“Outrora, eram sobretudo os Estados a orientar e a dirigir a inovação. Hoje, pelo contrário, os principais motores do desenvolvimento são atores privados, frequentemente transnacionais, dotados de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos Governos. O poder tecnológico assume, destarte, uma identidade inédita, predominantemente ‘privada’ e, portanto, ainda mais difícil de discernir, gerir e orientar para o bem comum.


“Assim, é preciso iniciar um discernimento partilhado, capaz de penetrar nas raízes espirituais e culturais das transformações em curso. Se nos limitarmos às contingências, corremos o risco de deixar que uma série de emergências decida, em nosso lugar, a direção do caminho. Estamos a viver uma rápida fase de transição, uma ‘mudança de época’ em que, enquanto alguns disputam o futuro das novas tecnologias e outros se dedicam à reflexão sobre elas, a maioria das pessoas permanece a aguardar, observa de longe, simplesmente esperando que tudo corra bem. Exatamente por isso, impõem-se à nossa consciência questões decisivas, que não podem já ser evitadas: Para onde vamos? Para que meta desejamos nos orientar? Que direção escolher enquanto comunidade humana e enquanto povos?


“As descobertas científicas são um dom concedido à humanidade para que esta o faça frutificar (cf. Mt 25, 14-30). A tecnologia pode curar, conectar, educar, cuidar da Casa comum; mas também pode dividir, descartar, gerar novas injustiças. Teoricamente, ela não é, em si mesma, uma solução para os problemas da humanidade, assim como não é, em si mesma, um mal; todavia, na prática, não é neutra, porque tem o rosto daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam. Por isso, a primeira escolha não é entre um “sim” ou um “não” à tecnologia, mas entre edificar Babel ou reconstruir Jerusalém: entre um poder que pretende dominar o céu ou um povo que unido, na presença de Deus, começa o trabalho de reerguer os muros da convivência fraterna.


“Evitemos, portanto, a ‘síndrome de Babel’: a idolatria do lucro, que sacrifica os mais fracos; a uniformidade, que anula as diferenças; a pretensão de uma linguagem única – mesmo digital – dedicada a traduzir tudo em dados e desempenhos, inclusive o mistério da pessoa. Este é o risco da desumanização: construir o futuro excluindo Deus e reduzindo o outro a um meio; uma tentação tão antiga e tão nova, que hoje assume também uma faceta técnica. Pelo contrário, escolhamos o ‘caminho de Neemias’, que destaca o valor do trabalho conjunto para garantir a segurança da cidade de Deus aos exilados que regressavam.


“Reconstruir hoje significa reconhecer, na pluralidade de vozes e visões que por vezes lembra a dispersão das línguas, a existência duma possibilidade luminosa: a de edificar juntos, transformando a diversidade num recurso e fazendo da escuta e do diálogo o terreno comum no qual crescem a justiça e a fraternidade. No âmbito desta obra partilhada, os cristãos encontram a sua forma específica de construir: orientar a ação para Deus, de modo que, à sua luz, o pluralismo não se disperse na desordem, mas, pela prática da sinodalidade, se torne o lugar onde a humanidade reencontra os seus sólidos alicerces e o seu fim último.


“Hoje, o desejo de plenitude do ser humano corre o risco de ser desviado para objetivos enganadores: a ilusão duma técnica que promete nos libertar de toda fragilidade ou modelos de bem-estar que ‘deixam para trás’ povos inteiros. Não raro, depositamos a esperança num aperfeiçoamento sem limites, em formas de progresso que podem exacerbar as desigualdades, em soluções imediatas incapazes de curar as feridas dos povos. Então, enquanto alguns perseguem a quimera de uma autoafirmação ilimitada, muitos continuam sem o essencial. A Igreja recorda – com voz humilde, mas firme – que a verdadeira realização não nasce da supressão das fragilidades, mas de um crescimento harmonioso: onde a liberdade e a responsabilidade se entrelaçam com o cuidado recíproco e a verdadeira solidariedade, e onde o progresso se mede pela dignidade de cada um e pelo bem dos povos.


“Construir um mundo onde todos possam ‘florescer’ exige (...) uma corresponsabilidade corajosa. Nenhuma mão, sozinha, é suficiente para aguentar o peso dos desafios que assolam o mundo; e nenhuma mão é tão fraca que não possa dar o seu contributo: «A força manifesta-se na fraqueza» (2 Cor 12, 9). A cada um o seu pedaço da muralha
[para reconstruir]: cientistas e estudiosos, empresários e trabalhadores, educadores e legisladores, sociedade civil, movimentos populares e comunidades de fé. Esta é a lógica da subsidiariedade, que valoriza a cooperação entre gerações, povos, disciplinas e culturas como caminho principal para fazer crescer a estabilidade, a prosperidade e a paz. As tensões e as diferenças não devem intimidar, pois, quando orientadas por uma responsabilidade comum, podem tornar-se forças criativas.

“Edificar no bem exige uma linguagem evangélica. Evitemos palavras que humilhem ou criem oposições. Escolhamos a clareza que ilumina e a franqueza que abre caminhos. Não abençoemos entusiasmos ingênuos, não alimentemos medos estéreis. Em vez disso, indiquemos critérios de discernimento – dignidade da pessoa, destinação universal dos bens, opção pelos pobres, cuidado da Casa comum, paz – e transformemo-los em ações: com projetos responsáveis, avaliações de impacto humano e social, inclusão dos mais frágeis, alfabetização digital, pesquisa e indústria orientadas para a justiça e a paz.


“Na era da inteligência artificial, em que a dignidade humana corre o risco de ser ofuscada por novas formas de desumanização, temos o dever urgente de permanecer profundamente humanos, salvaguardando com amor essa magnífica humanidade, que nos foi plenamente dada e manifestada em Cristo, e que jamais alguma máquina poderá substituir no seu esplendor.

“Encorajo todos, em particular os fiéis leigos, a não ter medo de se deixar interpelar pela realidade, a escutar-se mutuamente e a assumir com firmeza a própria responsabilidade na construção duma sociedade mais humana e fraterna.

“A propriedade dos dados não pode ser confiada apenas a entes privados, mas deve ser regulamentada. Estes são fruto da contribuição de muitos e não podem ser vendidos ou confiados a poucos. É necessária uma criatividade capaz de os gerir como um dos bens comuns ou coletivos, numa lógica de partilha, tal como já sugeria São João Paulo II, a propósito dos bens coletivos.

“Os princípios da Doutrina social ajudam-nos a interpretar esta nova realidade. Num mundo em que poucos sujeitos concentram dados, capital computacional e capacidade normativa, falar de bem comum significa desmascarar esta nova assimetria epistémica, econômica e política, dando nome aos novos monopólios da IA. Falar de destinação universal dos bens significa encontrar formas de garantir o acesso universal às tecnologias e à formação. Falar de subsidiariedade é pedir que se proteja a capacidade das comunidades escolherem e corrigirem, sem relegar a sua intervenção a uma mera vigilância, depois das normas terem sido definidas noutro local. Falar de solidariedade obriga a reconhecer o trabalho invisível, frequentemente explorado, que alimenta os modelos algorítmicos. Falar de justiça impõe questionar as geografias do poder que definem quem pode treinar os modelos e quem é apenas objeto de treino, e reconhecer que a justiça social não é apenas um objetivo a proteger após a adoção das tecnologias, mas uma condição prévia, a ser posta em prática no seu próprio projeto.

“Olhando para o futuro, desejo evocar a imagem de Neemias, que no início deste percurso escolhemos como companheiro e figura de referência. Neemias ouve o clamor de uma cidade ferida, leva essa dor para a oração, discerne perante Deus, pede ajuda, obtém permissão para partir, organiza o trabalho, enfrenta resistências internas e externas e, tijolo por tijolo, reconstrói com o povo as muralhas de Jerusalém. Reconheço nele uma parábola luminosa da nossa vocação a ser, na era da transformação digital, não resignados espectadores das fraturas sociais e culturais, nem meros analistas de ruínas, mas mulheres e homens que entram nos estaleiros da história – laboratórios de investigação, empresas tecnológicas, escolas, meios de comunicação, instituições, comunidades locais – para reconstruir o que ruiu e proteger o que está exposto. Tal como Neemias, também nós somos chamados a unir escuta e coragem, oração e responsabilidade, para que a cidade dos homens se torne mais habitável, mesmo quando as lógicas tecnocráticas e os interesses particulares parecem prevalecer.

“Com a fé de Maria, tornemo-nos tecelões de esperança no nosso mundo, partilhando o que somos e o que temos, de modo que a presença de Jesus cresça entre nós e o seu Reino tome forma. Na humilde fidelidade de cada dia, também a era da IA pode tornar-se uma etapa em que o Espírito faz amadurecer a civilização do amor na nossa vida: o Senhor continua a renovar todas as coisas e mantém aberta, em cada época, a possibilidade de se tornar história de salvação à luz da Encarnação. Confio este desejo à Mãe de Cristo, à mulher do Magnificat, para que acompanhe os nossos passos no presente em mudança e guarde em cada um de nós a confiança no Evangelho, de modo que possamos testemunhar a beleza duma magnifica humanidade habitada por Deus.”]

...

Finda a leitura da Magnifica Humanitas (ou dos trechos destacados acima), talvez devêssemos insistir: quando as lideranças católicas deste nosso tempo passarão dos brilhantes e amplos diagnósticos à ação? Sabemos, porque tivemos a revolucionária “Doutrina social da Igreja”, derivada da Encíclica Rerum Novarum, de 1891, que isto é possível. Mas, e agora, neste exato momento em que nos defrontamos com os riscos e as oportunidades da Inteligência Artificial, qual é a Palavra mobilizadora da Igreja à hierarquia eclesiástica e ao seu rebanho?