O #exercitohumano em marcha

Vislumbramos desde a segunda metade deste Outubro de 2026 o alvorecer de uma revolução planetária, talvez a definitiva — que o Sol nos ouça!

O norte está dado. A senda está aberta. E tem sido exatamente como prenunciaram Pietro Ubaldi e Stefan Zweig, duas mentes europeias brilhantes, que, forçadas ou guiadas pelo contexto da Segunda Guerra Mundial, encontraram no Brasil o cenário central para as suas visões de um futuro promissor ainda possível.

A magnífica vitória da democracia frente a barbárie, ocorrida na eleição do último dia 25 em nosso país — produzida pela reação da juventude que ocupou as ruas a partir da centelha acesa pelos estudantes da Universidade Federal Fluminense na noite de segunda-feira, 5, logo após o 1º turno das eleições, seguida da adesão de todos os segmentos sociais e da inédita e determinante criação do #exercitodolula com 10 milhões de seguidores nas redes sociais — esta magnífica vitória literalmente acordou o planeta.

Pipocam hoje mundo afora iniciativas inspiradas nessa revolução brasileira, uma revolução que une o velho e bom combate corpo a corpo, analógico, com a novíssima, explosiva e instantânea batalha digital.

O fato é que aprendemos a usar os algoritmos a favor do avanço civilizatório. Não há como deter esse conhecimento agora adquirido. Não há como reinventar a manipulação.

A receita é simples e está acessível a todos: ao contrário do que vinha prevalecendo até ontem, provou-se que boa notícia também possui valor de mercado. Até mais do que a notícia ruim, pois gera entusiasmo, espontaneidade, criatividade e maior engajamento.

O que nos fazia, até ontem, dedicar mais atenção às más notícias, segundo a psicologia cognitiva, a neurociência e as ciências comportamentais, era o fenômeno do viés de negatividade, segundo o qual estímulos, emoções ou informações negativas exercem um impacto psicológico muito mais forte e duradouro no cérebro humano do que estímulos positivos de mesma magnitude.

E por quê isto ocorre?

Conforme nos ensinam os especialistas, o viés de negatividade é uma herança evolutiva ligada à nossa sobrevivência. As principais razões para esse fenômeno se devem ao alerta de sobrevivência, pois, para o nosso cérebro, identificar um perigo potencial era muito mais importante para continuar vivo do que notar algo bom. Informações sobre ameaças (como violência, crises ou desastres) recebem prioridade de processamento mental porque exigem ação imediata.

Notícias negativas estimulam com mais força a amígdala e áreas ligadas ao sistema de recompensa e alerta, fazendo com que fiquemos mais atentos e fixemos essas memórias por mais tempo. Estudos comportamentais mostram que notícias com conteúdo negativo geram substancialmente mais engajamento e cliques do que notícias positivas (pesquisas indicam que cada palavra negativa em uma manchete pode aumentar significativamente a taxa de cliques). Na lógica dos algoritmos, como as pessoas clicam e passam mais tempo consumindo conteúdos de impacto ou tragédias, as redes sociais e os portais acabam impulsionando ainda mais esse tipo de publicação, porque assim multiplicam seus ganhos.

Há uma extensa literatura dedicada a esse fenômeno [veja alguns links abaixo], mas o que nos interessa entender é isto: se o que importa às redes sociais dominadas pelas big techs é o quanto essas corporações podem lucrar com seus algoritmos, a novidade de hoje, demonstrada neste Outubro de 2026, no Brasil, é que a disseminação da boa notícia também gera valor — mais valor até do que o compartilhamento da violência, do ódio e da disrupção. Isto se deve — paradoxalmente — ao fato de que estamos tomando consciência de que nossa espécie está sob ameaça de extinção. Este foi o gatilho que acionou a resistência democrática nas eleições brasileiras.

Essa é a parte utilitarista, digamos assim, da revolução vislumbrada neste Outubro de 2026. A parte que coloca as corporações digitais diante do fato de que o ‘espírito do nosso tempo’ não está mais submetido ao viés da negatividade. Ou seja: resta demonstrado que a negatividade levada ao extremo, como foi e tem sido desde o advento das redes sociais, não tem mais como avançar sem que ocorra a destruição da teia social e o rompimento dos laços e interações que unem os indivíduos da comunidade global. O limite distópico foi atingido e isto não é bom para ninguém, especialmente para quem visa o lucro.

A outra parte, a orgânica, construtora, promissora, é a possibilidade que se abre de os seres humanos exercitarem suas potencialidades a partir das ações de cada um dos indivíduos que compõem a comunidade terrena. Como? Pondo em marcha, de forma integrada, todos os exércitos digitais que se fizerem necessários, tendo como elemento agregador um abrangente #exercitohumano global. Não há dúvida de que esta revolução está em curso. A prova empírica de sua validade e eficácia acaba de ser dada pelo Brasil. Estamos diante de uma grande novidade. Não podemos errar. 
 
Sobre o viés de negatividade:
• www.bbc.com/portuguese/vert-fut-62037524
• https://link.springer.com/article/10.1007/s13164-018-0382-7
• www.youtube.com/watch?v=mW9uC8ie6gY&t=33
• www.tandfonline.com/doi/epdf/10.1080/15205436.2023.2297829?needAccess=true
• www.psymeetsocial.com/blog/artigos/vies-da-negatividade
• www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.1908369116
• https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3652533/
• https://en.wikipedia.org/wiki/Negativity_bias