Retomemos a ideia levantada no texto anterior — O que nos aproxima e motiva —, a propósito da inconveniência, digamos assim, dos seres humanos não se reconhecerem como partes do Todo.
Primeiramente, é preciso definir o conceito. O Todo, segundo a visão panteísta, mas de certa forma também no monoteísmo, é igual a O Tudo, O Uno/Único, Aquele, O Absoluto, O Grande, O Criador, A Mente Suprema, O Bem Supremo, O Pai ou A Mãe Universal.
Sob o entendimento e a prática do monoteísmo, O Todo é O Criador, Aquele que nos concebeu e submete, premiando-nos ou nos punindo, de acordo com nossos pensamentos e atos — devemos-Lhe obediência e descansaremos ao Seu lado, se e quando nos arrependermos de nossos pecados. No monoteísmo estamos em eterna evolução vigiada. Tudo nos foi dado e pode ser retirado.
Do ponto de vista do panteísmo hermético, O Todo é O Absoluto, O Uno que integra a existência humana no conjunto das coisas acessíveis aos nossos cinco sentidos, mas também nas ideias que apenas intuímos, e que têm sido o motor do nosso desenvolvimento cognitivo. Somos o que nos fizermos ser.
Este texto não se ocupa do monoteísmo, pois ele não nos autoriza a pensar com autonomia. Seus dogmas nos submetem.
Muitos sábios já demonstraram — os herméticos do antigo Egito, os gregos que com eles aprenderam, e ainda os velhíssimos construtores das civilizações asiáticas — que nossa espécie não é detentora de qualquer privilégio existencial. Somos tão somente “poeira de estrelas”, como sentenciou o astrônomo Carl Sagan (1934-1996).
E como ‘os átomos que compõem os seres vivos na Terra e o próprio planeta foram forjados no interior de estrelas extintas e posteriormente dispersos pelo universo’, parece intuitivamente demonstrado que integramos O Todo.
Estaríamos, então, existencialmente à deriva, submetidos aos caprichos (ordem) do Cosmos? Como tantos já disseram e dizem, também digo que não. Somos “poeiras”, mas pensantes, e temos, ainda conforme o panteísmo, alguns bons Princípios a seguir, tais como:
Mentalismo: Tudo é uma manifestação de uma mente, sendo o universo a ideia da mente divina;
Correspondência: O que acontece num plano se reflete nos outros, do micro ao macrocosmo;
Vibração: As coisas não são estáticas; tudo está em movimento constante, e a vida é moldada por essa sintonia vibracional;
Polaridade: Os opostos são a mesma coisa em graus diferentes, como quente e frio;
Ritmo: As coisas seguem um padrão de altos e baixos, e é importante buscar o meio-termo e a neutralização para evitar extremos;
Causa e Efeito: Cada ação tem uma consequência, sendo a vida uma relação de sementes e frutos;
Gênero: Os gêneros masculino e feminino regem a criação, tanto nas ideias quanto nos planos físicos e mentais.
O prosseguimento da espécie humana, portanto, depende de que nos reconheçamos como partes do Todo. O resto será consequência.
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.