Torço pelo Santos Futebol Clube e, como escrevi em dois outros textos — O futebol nos enobrece e O que nos aproxima e motiva —, considero esse esporte (e a prática de esportes, em geral) um dos valores fundamentais de nossa condição humana. O fato, enfim, é que torço pelo SFC e tenho sido afetado, como todo e qualquer torcedor, pelo quase sempre lamentável desempenho do meu time.
Nesta segunda-feira, 6 de Outubro de 2025, tenho a dizer (embora isso interesse a poucos) que a situação precária em que o Santos se encontra (perdeu ontem por 3x0 para o Ceará, em Fortaleza) não é uma questão irrelevante. Ela tem lá sua ‘universalidade’, digamos assim. A melhor análise que vi sobre isto está nesta postagem do jornalista Alex Frutuoso, “Homens sem ambição”.
Sim, é de homens sem ambição que se constitui meu time. Dos onze indivíduos que periodicamente entram no campo em busca de uma vitória (e que invariavelmente saem derrotados, ainda que tenham empatado, pois o empate quase sempre decorre de seus próprios erros), desses onze atletas talvez um ou dois ambicionem algo além de chegar fisicamente inteiros ao final dos 90 minutos de jogo, bem como garantir mais um mês de salário.
A aspiração, o desejo de realizar ou atingir algo não corre em suas veias; não vibra em seus nervos; não impulsiona seus tendões e músculos. Não ocupa suas mentes.
Falta-lhes ambição. Sem ela, são burocratas da bola. Desperdiçam energias aplicando, na medida do possível, as habilidades que aprenderam ao longo de suas carreiras a caminho do ocaso. Não são necessariamente homens velhos. São indivíduos emocionalmente gastos; materialmente fartos; espiritualmente descomprometidos. Não possuem horizontes.
Tenho o costume de observar o semblante dos jogadores do Santos quando eles entram em campo para disputar uma nova partida. Lamento dizer isso, mas percebo a derrota do meu time já nesse instante, quando percebo seus olhares sem foco, distraídos, sem interação calorosa com os demais companheiros; cabisbaixos ainda que brevemente, como se eles mesmos se surpreendessem no cometimento de um ato falho, essa manifestação inconsciente de nossa psique. É um relance intuitivo, mas suficiente para encher meu coração de desânimo.
Por coerência e autopreservação emocional, deveria desligar a TV nesses momentos. Não o faço porque sempre resta a esperança de que algum evento inesperado ocorra, e nos socorra de mais uma derrota (ou frustrante empate). Isso acontece às vezes, quando por substituição entra em campo um jogador mais jovem, vindo das categorias de base, cheio de ímpeto e desejo de vencer (no jogo e na vida).
A injeção desse novo sangue tem, eventualmente, o dom de espantar o marasmo; despertar aquilo que qualquer equipe esportiva precisa ter: o desejo intenso, a ambição permanente pela vitória, sabendo que para isso é preciso lutar como se pelo último prato de comida fosse.
A lição que se tira disso é óbvia e histórica: o glorioso Santos Futebol Clube nunca foi um ajuntado de bons atletas em final de carreira; nem mesmo de bons atletas na plenitude das condições físicas.
O Santos sempre foi um time formado por grandes jogadores experientes, mesclados por promissores (alguns geniais) atletas formados em suas equipes de base, os tais ‘meninos da Vila”.
Enquanto essa tradição não for respeitada e retomada, mais “homens sem ambição” continuarão entrando em campo. Distraídos e perdedores.
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.