Eu, brasileiro, confesso/Minha culpa, meu pecado/Meu sonho desesperado/Meu bem guardado segredo/Minha aflição
O piauiense Torquato Neto (1944-1972) certamente partiu de suas reflexões sobre a realidade e os destinos do Brasil quando escreveu Marginália II (musicada por Gilberto Gil).
Eu, brasileiro, confesso/Minha culpa, meu degredo/Pão seco de cada dia/Tropical melancolia/Negra solidão
Mas, como sempre fazem os verdadeiros poetas, não foi apenas deste país que ele tratou.
Aqui, o Terceiro Mundo/Pede a bênção e vai dormir/Entre cascatas, palmeiras/Araçás e bananeiras/Ao canto da juriti
A partir do autorretrato deste povo, ele traça a essência de quem somos nós, os seres humanos.
Aqui, meu pânico e glória/Aqui, meu laço e cadeia/Conheço bem minha história/Começa na lua cheia/E termina antes do fim
O grande valor de sua poesia é tornar universal o que primeiro é pessoal, depois nacional. Tudo junto agora.
Minha terra tem palmeiras/Onde sopra o vento forte/Da fome, do medo e muito/Principalmente da morte/Olelê, lalá
Não há separação entre os três espaços existenciais. Esse é o grande ostensivo segredo, que guardamos ao longo de toda a vida.
Minha terra tem palmeiras/Onde sopra o vento forte/Da fome, do medo e muito/Principalmente da morte/Olelê, lalá
Dizem alguns estrangeiros que o espírito brasileiro, revelado em nossa música, principalmente, carrega o dom de mesclar tristeza com esperança.
A bomba explode lá fora/E agora, o que vou temer?/Oh, yes, nós temos banana/Até pra dar e vender/Olelê, lalá
Mestres em rir e dançar à beira de precipícios é o que somos.
Aqui é o fim do mundo/Aqui é o fim do mundo/Aqui é o fim do mundo
Vivemos assim, alegremente, nos limites da existência, sem nos importar onde ela começa ou termina.
Irresponsáveis? Ingênuos? Talvez!
Ou, quem sabe?, apenas sábios.
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.