Não cabem mais contemporizações. É urgente disseminarmos o conhecimento e a compreensão de que a Terra pertence ao Universo, e que nós, seres humanos, somos apenas ocupantes transitórios da casca deste planeta. Transitórios, mas em grande parte responsáveis por seu destino cósmico.
Menções frequentes, e crescentes, a esse respeito têm sido vistas nas redes sociais — me informou ontem um amigo —, e é bom que isso esteja acontecendo. Finalmente!
O advento do humanismo, há cinco ou seis séculos, proporcionou progressiva formulação dos direitos dos indivíduos de nossa espécie, até que a ideia se consolidasse em textos legais destinados a regular a convivência entre as pessoas, os povos e as nações.
Vemos hoje que o nobre objetivo não se realizou; ao contrário, foi corrompido. A nunca superada imaturidade emocional da espécie impediu a interiorização daquilo que nossa razão formulava. Ao contrário, desenvolvemos comportamentos dissimulados, hipócritas, fingindo praticar o que na verdade sempre descumprimos, ainda que cobrando responsabilidade aos outros, ao outro.
Fizemos assim, desde sempre, nas relações políticas — Não é aceitável que os indivíduos eleitos para legislar ou governar continuem colocando seus interesses pessoais e/ou de seus grupos à frente das necessidades urgentes dos cidadãos de seus países, estados, cidades.
Atuamos do mesmo modo onde se deveria aplicar justiça — É revoltante ver os integrantes privilegiados desse sistema, que deveriam agir segundo direitos coletivos e igualitários, decidindo em favor dos segmentos endinheirados e poderosos, e impunemente, porque afinal são eles próprios que se regulam.
Agimos assim até no campo da estética, que deveria ser livre, crítica e sábia — É inadmissível que os produtores de arte, de todas as artes, ainda percam tempo olhando para seus próprios umbigos, em transes egotripcos, ou para o umbigo das sociedades em que estão inseridos, contemplando, apenas condoídos, as incontáveis injustiças.
O tempo da insinceridade acabou. Muitos, a maioria, infelizmente, ainda não tem conhecimento disso, mas veem tomando ciência na carne, das formas mais trágicas, pois o caos se instalou no âmago das relações públicas e privadas, e seus efeitos dolorosos se espalham democraticamente para todas as camadas sociais.
A prática do humanismo, repito, é uma falácia. Pouquíssimos o fazem, e aqueles que adotam seus princípios (predominância do homem, racionalismo, valorização da potencialidade individual, autonomia e autodeterminação, defesa da liberdade, promoção da educação e do conhecimento, prática da ética, valorização da dignidade, defesa da atitude crítica, destaque aos aspectos físicos, emocionais, espirituais e cognitivos do homem) são ridicularizados.
Basta de contemporizações! Chega de diversionismos! E não porque alguns de nós, seres humanos, desejemos pôr fim à trágica pantomima que nos cerca, ao teatro de absurdos a que estamos submetidos, mas porque é a realidade que se impõe.
O ser humano pertence ao Cosmos. É a partir desse plano que devemos nos enxergar, e não da visão medíocre e limitada de nossa breve existência. Com uma vantagem: a partir do momento em que adquirirmos essa compreensão e prática, as misérias existenciais ganharão uma chance de serem superadas.
Como nos avisou o poeta T. S. Eliot (1888-1965), o mundo acaba não com um estrondo, mas com um gemido.
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.