Para o que brilha

Obrigado, Sol, pela vida que tens nos proporcionado! Agora mesmo, vendo-te presente, atravessando o vidro da janela do banheiro enquanto lavava meu rosto, antes de seguir para mais um dia, senti-me genuinamente alegre e ciente do teu valor.

Obrigado, Sol, pelas oportunidades que tens nos oferecido, mesmo quando te encontras atrás de nuvens espessas, ou furiosas tempestades. Obrigado por estar sempre aí, zelando pela nossa terrena e frágil existência, pronto para de novo se revelar e nos confortar.

Sábios foram os antigos egípcios, que, submetidos à tua imponência cósmica, mas, principalmente, conscientes da energia que te constitui, e sobre nós projeta, te alçaram à condição daquele que dita o ritmo da vida. Nada mais certo. Nada mais justo.

Muita desgraça, muita miséria, muito sofrimento e dissabores teríamos evitado se, ao invés de nos prostrarmos aos pés de deuses que punem, segregam e desunem, houvéssemos nos mantido na senda irradiante de Rá. Se era para adorarmos um ente, que este fosse ao menos o Sol.

A quem devemos, afinal, a vida que brevemente possuímos? Quem está lá, a nossa espera, após cada noite de possível descanso e sonhos, mas também de pesadelos? Quem não nos tem faltado na missão de renovar nossas esperanças a cada manhã, se não tu, Sol, e a certeza de tua luz?

É a ti, confesso, que recorro sempre que me falta o que for. Embora não te encare com estes olhos nus, ainda assim te olho pelo átimo que posso, respeitoso de tua brilhante presença. É o mínimo apreço que me cabe demonstrar.