A moeda gira rápido sobre a mesa: cara-corôa-cacocacocaoaoa…
O que é esse objeto em movimento, se não uma representação gráfica, embora tosca, de algo existindo em múltiplos estados, tal qual ocorre no fenômeno da superposição quântica?
Se o tocamos, ele tomba, expondo uma de suas faces, ou seja, ocorre o colapso da função de onda da mecânica quântica, e o objeto rotativo assume um específico e único estado, oferecendo-se à nossa observação e medição, conforme as leis da Física clássica.
Esse exemplo se encontra em podcast produzido a partir de publicações e aulas do professor Michio Kaku, como também a ideia de que a intuição humana equivale à manifestação quântica da superposição em nosso cérebro (e faz sentido que seja assim!), considerando e processando milhares informações simultaneamente, e não de forma linear.
Ao interromper (colapsar espontaneamente) o giro da moeda-pensamento, e assim congelar um específico insight, o cérebro se apropria de uma formulação inusitada, surpreendente, reveladora, produzindo saltos de compreensão e, portanto, avanços cognitivos reais.
Para seguir adiante, é necessário registrar que os esclarecimentos proporcionados por Michio Kaku se baseiam, entre outras, nas proposições teóricas e complementares de Kurt Gödel (matemático e lógico), Roger Penrose (físico e matemático), Max Planck (físico), Stuart Hameroff (médico anestesiologista), Anirban Bandyopadhyay (físico e nanocientista), entre outros.
Isto significa que o avanço do conhecimento humano, tal qual se dá na mecânica quântica, resulta de um processo multifacetado, aleatório, e realizado aos saltos. Tem sido assim desde o começo, até onde os registros antropológicos e arqueológicos alcançam. Tem sido assim em todos os campos de nossa evolução, embora com imenso hiato nas esferas mental e emocional, conscientes e inconscientes, o que impõe terríveis obstáculos e retardamento ao nosso imprescindível amadurecimento espiritual.
Mas não é de imaturidade — tema sempre presente em minhas publicações — que este texto trata. Quero me deter aqui no mistério da intuição, do insight, e de sua essencialidade para este ser que somos e almejamos nos tornar. Agora que sabemos — através do esforço de compreensão da teoria e do trabalho de divulgação de Michio Kaku — que a alma não é um software operando em linguagem binária, mas um fenômeno físico real, ligado à geometria fundamental do Universo na Escala de Planck (*), pois atua segundo as leis quânticas, agora que sabemos disso podemos especular com maior liberdade a respeito do que nos é possível almejar.
E o quê nos é possível? Realizarmos novos saltos cognitivos é possível! Tão revolucionários e determinantes quanto o foram a criação da linguagem, o domínio do fogo, a produção de ferramentas de pedra lascada, a descoberta da roda, a utilização da alavanca, a invenção da escrita e tudo mais, até os nossos dias. Nada disso nos foi concedido, mesmo que ainda desconheçamos de onde viemos, por que e para que estamos aqui — nossas questões fundamentais.
Tudo o que conquistamos tem resultado de saltos cognitivos intuídos, que agora sabemos serem fruto de superposição quântica realizada nas infinitesimais estruturas de nosso cérebro, considerando milhares de informações simultaneamente processadas, em resposta a necessidades objetivas e demandadas.
Esses conhecimentos reforçam a abordagem racional da existência humana — afastando-nos da contraditória visão criacionista —, ainda que nem de longe respondam as tais perguntas fundamenteis. O fato promissor é que agora sabemos (parece) que nossa espécie pode estar na iminência de ingressar em nova era, realizando (quanticamente) um novo salto cognitivo, dado o inquestionável acúmulo de conhecimentos propiciadores de revolucionárias intuições.
Não estamos livres dos impactos planetários, sociais e pessoais que acompanham todo momento de ruptura — temos visto e sofrido com essas dores diariamente, em velocidade e quantidade cada vez maiores —, mas, e há sempre um mas, algo nos diz que, como Belchior em seu contexto anunciou há 50 anos, “uma nova mudança em breve vai acontecer”.
(*) Representado por 6,626070150 × 10¯³⁵ kg⋅m2/s, ou, em sua versão estendida, 0,0000000000000000000000000000000006626070150 Joules, que é a unidade de medida de energia mecânica (trabalho) e energia térmica (calor) utilizada pelo Sistema Internacional de Unidades.