Uma das atividades que desenvolvi, na área de Comunicações, foi a de assessor de imprensa de grande empresa brasileira, atuando numa unidade de negócios em que trabalhavam cerca de mil engenheiros e técnicos, além do corpo burocrático e pessoal de apoio.
Essa experiência, que se estendeu por mais de vinte anos, foi uma valiosa oportunidade de praticar as ideias que desenvolvi ao longo de minha carreira como intermediário informacional entre os diversos estratos da sociedade, popularmente conhecida como jornalista. Sim, o jornalismo é essencialmente uma prestação de serviços.
No âmbito corporativo, essa intermediação se dá em relação a pelo menos três públicos: sociedade, fornecedores (de bens e serviços) e empregados. Nessa empresa, em particular, as relações com os empregados diretos e indiretos era o que mais importava. O sucesso da instituição dependia desse fator.
Qualidade, eficiência, produtividade estavam em grande medida garantidos pela excelência do corpo técnico, a prática da manutenção preventiva e a permanente modernização dos equipamentos operacionais. Era preciso, basicamente, comprometer a força de trabalho com as rígidas práticas de segurança. Essa era a prioridade da Comunicação.
Quando, no final da postagem anterior — Ideias (ingênuas) de Outono —, me referi a recompensas como oportunidades de desenvolvimento profissional e o direito de participar do aprimoramento do processo de disseminação (falando do possível uso da computação quântica para produzir e divulgar conteúdos individualizados, destinados a superar a barreira da imaturidade vigente em nossa espécie), tinha em mente a experiência da comunicação corporativa.
Em resumo, o trabalho naquela empresa se desenvolveu a partir de minhas convicções filosóficas, digamos assim, de que todo ser humano é único em sua constituição física e mental, suas vivências, mas, em especial, na necessidade personalizada de reconhecimento, não necessariamente monetário.
As pessoas querem se sentir pertencentes e úteis aos grupos de que fazem parte não de forma padronizada, mas a partir de seus próprios méritos, ainda mais quando se trata de uma comunidade profissional, de onde elas obtêm os meios para o seu sustento ou o provimento das necessidades de sua família.
Valorizar o protagonismo individualizado dessas pessoas é, portanto, essencial. Assim como é necessário humanizar as tarefas que elas realizam, vinculando-as diretamente aos resultados da empresa e ao seu próprio desenvolvimento como seres humanos.
De forma objetiva, minha ação consistia em entrevistá-las; apurar os detalhes dos trabalhos que faziam; conhecer e traduzir para o senso comum as particularidades técnicas; descobrir e valorizar o esforço inventivo adicionado às tarefas; apurar os eventuais ganhos de produtividade envolvidos; recolher suas possíveis sugestões de melhoria.
Isso era feito com todos os trabalhadores, do engenheiro mais graduado aos integrantes do corpo técnico e operários não qualificados. Todos, sem exceção, tinham uma boa história para contar. Ainda mais se o assunto em pauta não fosse técnico-operacional, mas uma conquista educacional, esportiva, cultural, familiar.
Para divulgar essas entrevistas, contávamos, primeiramente, com veículos impressos (boletins extras e um pequeno jornal mensal), mas, depois, também com os recursos de uma intranet (a internet institucional, voltada ao público interno). As redes sociais eram incipientes e algumas nem mesmo existiam, mas, ainda que utilizássemos esses novíssimos recursos tecnológicos, as bases da comunicação permaneceriam: humanizar o trabalho e valorizar aqueles que o produziam.
Realizado em conjunto com programas motivacionais desenvolvidos e aplicados por profissionais de teatro e música, o resultado foi extremamente positivo. O comprometimento com as normas de segurança se robusteceu; a iniciativa a procedimentos operacionais inovadores foi estimulada; a criatividade e invenção ganharam reconhecimento; e os grupos de trabalho passaram a adotar atitudes muito mais colaborativas.
Não se pode afirmar que esse quadro positivo se manteve estável e consolidado dali em diante, até porque os integrantes das equipes mudavam e os que vinham estiveram expostos a outros ambientes. Mas isso não indicava falha no projeto de Comunicação praticado naquela unidade, e sim a ausência de disseminação da iniciativa ao conjunto da corporação, bem como aos novos empregados que eram admitidos. Faltou expandir e consolidar a nova cultura.
É do ponto de vista desse projeto corporativo que entendo a ideia de recompensar os indivíduos que venham a se dedicar a um (teórico) processo de aquisição de novas competências (aprendizado da Matemática, por exemplo, a mais precisa e rigorosa linguagem de que nossa espécie dispõe), a partir da utilização de conteúdos pedagógicos customizados (ou seja, gerados para cada pessoa, segundo suas particularidades genéticas, cognitivas, sociais, familiares, emocionais), produzidos com os fabulosos recursos da computação quântica.
A recompensa imediata seria — à semelhança daquela bem sucedida experiência como assessor de imprensa — a oportunidade de desenvolvimento profissional, traduzida na qualificação desses indivíduos para os novos tipos de tarefas a serem criadas no futuro, escapando da sina da irrelevância para o mundo do trabalho decorrente de uma formação inadequada ou insuficiente.
Associada a essa, a outra recompensa seria o direito de participar do aprimoramento do processo de disseminação das novos competências cognitivas, o que se traduziria no reconhecimento à contribuição de cada um, bem como no engajamento de todos para a construção de uma nova cultura humana. Uma cultura coletiva, inclusiva, terrena, e seguramente cósmica.