IA cospe o que somos

Pedi para a IA Qwen3, chinesa, que fizesse uma projeção para o planeta, a partir dos seguintes parâmetros (formulados em minha postagem anterior  Uma ideia em movimento): Normalização de genocídios entre povos e dentro de países; Negação da emergência climática; Desleixo na vigilância contra pandemias (em grande medida decorrentes da corrupção dos ecossistemas); Inoperância no combate à fome; Repressão às ondas migratórias geradas pelo próprio sistema de exploração neocolonialista; Fomento a guerras nucleares delimitadas, entre outras ações coordenadas.

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RESPOSTA DA IA chinesa: A partir dos parâmetros que você listou — e que indicam um cenário global marcado por desumanização, negação científica, degradação ambiental, desigualdades estruturais e sistemas políticos-econômicos falhos — podemos projetar um futuro sombrio para o planeta, a menos que ocorram mudanças profundas e urgentes. Vamos analisar cada um desses fatores e suas implicações concretas no curto, médio e longo prazo:

 

Normalização de genocídios entre povos e dentro de países

PROJEÇÃO: A normalização da violência extrema contra grupos étnicos, religiosos ou culturais tenderá a gerar mais conflitos regionais e globais. Isso pode levar à fragmentação política, aumento de refugiados climáticos e sociais, e ao fortalecimento de regimes autoritários sob a justificativa de "segurança nacional" ou "ordem pública".

Efeitos colaterais: Erosão dos Direitos Humanos; Radicalização ideológica; Colapso de instituições internacionais (ex: ONU); Ciclos intermináveis de vingança e guerra. 

 

Negação da emergência climática

PROJEÇÃO: A persistência dessa negação, mesmo diante de eventos climáticos extremos (furacões, secas, incêndios), acelera o aumento das temperaturas médias globais além de 2°C até 2050. Regiões tropicais e semiáridas tornam-se progressivamente inabitáveis.

Consequências: Derretimento de calotas polares e elevação do nível do mar (afetando cidades costeiras); Desregulação de padrões climáticos (monções, chuvas sazonais); Escassez de água potável em regiões já vulneráveis; Impacto direto na produção agrícola. 

 

Desleixo na vigilância contra pandemias (decorrentes da corrupção dos ecossistemas)

PROJEÇÃO: A pressão sobre os ecossistemas (desmatamento, mineração, expansão urbana) aumenta a interface humano-animal, facilitando o surgimento de novos patógenos. A falta de vigilância e cooperação internacional transformará doenças emergentes em crises permanentes.

Impactos combinados: Sistemas de saúde colapsados;
Crescimento do número de zoonoses mortais (como ebola, gripe aviária, coronavírus mutantes); Aumento da resistência antimicrobiana devido ao uso irracional de antibióticos.

 

Inoperância no combate à fome 

PROJEÇÃO: Com a degradação dos solos, escassez hídrica e concentração de terras nas mãos de poucos, a fome se tornará endêmica em várias partes do mundo. Países do sul global sofrerão com crises alimentares crônicas.

Cenário possível: Levantes populares motivados pela fome;
Interiorização do colonialismo alimentar (dependência de importações controladas por elites locais e multinacionais); Crianças com déficits nutricionais irreversíveis, comprometendo gerações futuras.

 

Repressão às ondas migratórias geradas pelo sistema neocolonialista

PROJEÇÃO: Enquanto os países ricos causam, indiretamente, migrações forçadas através de extração de recursos, guerras e dívida externa, eles respondem com muros, deportações e militarização de fronteiras. Isso gera uma crise humanitária sem precedentes.

Possibilidades futuras: Guetificação de comunidades migrantes; Violência estatal institucionalizada; Crises diplomáticas entre nações emissoras e receptoras; Radicalização anti-imigrante e crescimento de movimentos fascistas.

 

Fomento a guerras nucleares delimitadas

PROJEÇÃO: Em um mundo polarizado, com alianças regionais fragilizadas e competição por recursos, a possibilidade de uso táctico de armas nucleares não pode ser descartada. Um conflito nuclear limitado (ex: Índia-Paquistão, Coreia do Norte-EUA, Rússia-Ucrânia) teria impactos globais.

Consequências catastróficas: Inverno nuclear localizado ou global; Falhas agrícolas em escala planetária; Radiação prolongada afetando décadas de vida; Retorno ao estado de barbárie tecnológico. 

 

PROJEÇÃO GERAL PARA O PLANETA

Cenário provável se os parâmetros persistirem: Colapso socioambiental múltiplo (clima + saúde + fome + conflito); Fragmentação geopolítica em blocos autoritários e excludentes; Ascensão de regimes autoritários, militarizados e tecnocráticos;
Perda irreversível de biodiversidade e deterioração dos serviços ecossistêmicos; Diminuição da esperança e qualidade de vida globalmente.
 

Mas há alternativas?
Embora esse quadro seja desolador, ele não é inevitável. Há alternativas baseadas em: Descolonização do conhecimento e da economia; Reconhecimento do capitalismo como causa estrutural das crises; Construção de sistemas democráticos profundos e participativos; Justa transição energética e soberania alimentar; Diplomacia multilateral e cuidado comuns ao planeta. Mas isso exige políticas globais coordenadas, movimentos sociais organizados e educação crítica — algo que, infelizmente, também está sendo atacado nesse modelo atual.
 

CONCLUSÃO: Se os parâmetros mencionados continuarem sem resposta efetiva, a projeção para o planeta é do século XXI como o da decadência civilizatória, marcado por: Crises múltiplas simultâneas; Guerras contínuas; Ecocídio e etnocídio
Concentração de poder e riqueza; Redução drástica da população humana.

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Fiz o mesmo questionamento ao ChatGPT.

RESPOSTA DA IA norte-americana: Projeção distópica para o planeta – 2040-2050

 

Normalização de genocídios e violência de Estado

Com a banalização de massacres e limpeza étnica em regiões estrategicamente ignoradas por potências globais, os genocídios passam a ser tratados como "operações internas de segurança". A noção de direitos humanos perde legitimidade prática, aplicada seletivamente conforme interesses geopolíticos. A tecnologia de vigilância e drones é usada para conter, eliminar ou enclausurar populações inteiras sob justificativas securitárias.


Negação da emergência climática 

A continuidade da negação climática leva à ultrapassagem de pontos de não retorno. A elevação dos oceanos submerge cidades costeiras; secas e inundações extremas tornam regiões inteiras inabitáveis. Estados-nação se tornam cada vez mais "fortalezas", priorizando contenção interna e militarização de fronteiras ao invés de transição energética e cooperação climática global. A desigualdade ecológica se agrava: elites protegem-se em enclaves seguros, enquanto populações vulneráveis são expostas a desastres contínuos.


Desleixo com pandemias 

A degradação ambiental e a expansão do agronegócio intensificam o salto de vírus zoonóticos para humanos. A vigilância epidemiológica, minada por cortes orçamentários e desinformação, falha em conter novas pandemias. A desconfiança nas vacinas e no sistema de saúde pública é explorada por regimes autoritários para reforçar o controle populacional em nome da “ordem sanitária”. A desigualdade no acesso a tratamento vira norma.


Inoperância no combate à fome 

Apesar do aumento da produção global de alimentos, a fome se intensifica devido à má distribuição, conflitos armados, crises econômicas e uso de alimentos como arma geopolítica. A automação agrícola e o controle corporativo de sementes tornam comunidades dependentes e famintas. Favelas e campos de refugiados se expandem em megacidades sem infraestrutura.


Repressão às migrações 

As migrações em massa — causadas por guerras, fome e colapso ambiental — são tratadas como "invasões". Países desenvolvidos erguem muros físicos e digitais, terceirizam campos de concentração em países periféricos, militarizam fronteiras e criminalizam a solidariedade. As mortes em travessias marítimas e desertos se tornam uma estatística constante e ignorada.


Fomento a guerras nucleares “delimitadas” 

A aposta em armamentos nucleares táticos como forma de dissuasão regional desencadeia conflitos “controlados” que, apesar de sua escala localizada, causam destruição duradoura e radiação em áreas densamente povoadas. A guerra volta a ser vista como instrumento legítimo de política externa — inclusive contra populações civis — com apoio de narrativas nacionalistas, religiosas ou tecnocráticas.

 

Consequência Final (2050): Um planeta segmentado e colapsado; Mundo multipolar beligerante, onde o conceito de soberania é usado para justificar abusos internos e agressões externas; Sociedades digitais e neofeudais, com controle total de dados, moedas digitais autoritárias e classes protegidas por inteligência artificial e força armada; Neocolonialismo climático: países do Norte Global exploram os do Sul para extrair recursos, exportar lixo e armazenar carbono; Rebeliões localizadas e insurgências climáticas se tornam comuns, mas são brutalmente suprimidas; Colapso moral da comunidade internacional: a ONU torna-se irrelevante, tratados são ignorados, e ONGs são cooptadas ou criminalizadas.

 

CONCLUSÃO: Essa projeção não é uma profecia inevitável, mas um alerta. O cenário pode ser revertido com políticas públicas voltadas à justiça climática, transição energética, redistribuição de renda, cooperação multilateral honesta e fortalecimento da democracia — especialmente com a mobilização das populações civis e uma nova ética global de cuidado. 

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Perguntei à IA norte-americana quem se beneficiaria com esse cenário distópico.

RESPOSTA do ChatGPT: Num cenário como o descrito — distópico, marcado por colapso ambiental, repressão e desigualdade extrema — os beneficiários não são necessariamente "nações", mas estratos específicos de poder, geralmente acima das estruturas democráticas e fora do alcance de regulações. Podemos destacar alguns grupos:


Elites corporativas transnacionais: Setores beneficiados: agronegócio global, farmacêuticas, indústria bélica, tecnologia de vigilância, big data, mineração e energia fóssil. Como lucram: Controlam infraestrutura crítica, alimentos, remédios e dados; Adaptam-se rapidamente a ambientes autoritários, vendendo “soluções” de controle e contenção.
Imunidade geográfica: Instalam sedes e abrigos em zonas politicamente estáveis e climaticamente seguras, geralmente nos polos ou em zonas elevadas do Hemisfério Norte. 

 

Estados autoritários e seus intermediários - Como se beneficiam: Com o enfraquecimento do direito internacional e da imprensa livre, regimes autoritários ganham carta branca para agir internamente e negociar em bloco. Uso político da crise: Pandemias, guerras e colapsos ambientais servem para consolidar o poder, via estado de emergência permanente; Exércitos e forças de segurança se tornam protagonistas da economia, da política e do imaginário social.

 

Setores financeiros especulativos - Como operam: Lucram com a especulação em commodities, terrenos seguros, escassez de recursos e crises de dívida de países periféricos; Criptomoedas autoritárias e tokens soberanos permitem manter capital fluido em contextos de guerra ou instabilidade social. 

 

Complexo industrial-militar e tecnológico - Desenvolve e vende: Armas autônomas, vigilância por IA, robôs policiais, biometria de controle populacional, drones e sistemas antiprotesto; Lucro constante: Guerras localizadas e instabilidade crônica criam um mercado infinito para suas “soluções”. 

 

Pequenos grupos sociais nos países do Norte Global:
Populações brancas abastadas em regiões como Escandinávia, Canadá, Nova Zelândia ou partes dos EUA, que poderão manter certo nível de qualidade de vida em "zonas verdes".
Vivem em enclaves ecofeudais, com acesso a segurança privada, inteligência artificial defensiva e recursos concentrados. 

 

O paradoxo central: Esses beneficiários vivem em uma bolha de estabilidade artificial. Embora tirem proveito temporário do colapso global, estão profundamente vulneráveis a rupturas sistêmicas — como pandemias que escapam do controle, revoltas globais coordenadas, colapsos tecnológicos ou eventos climáticos catastróficos extremos (por exemplo, o colapso das correntes oceânicas ou uma erupção vulcânica global).  Em outras palavras: Eles vencem um jogo cujo tabuleiro está em chamas. 

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Fiz o mesmo questionamento (Quem se beneficiaria com esse cenário distópico?) para a IA chinesa:

RESPOSTA do Qwen3: Essa é uma pergunta crucial, e que toca o núcleo do poder na sociedade global contemporânea. Quando falamos em um cenário distópico como o descrito anteriormente — marcado por genocídios normalizados, negação climática, repressão migratória, guerra e degradação ambiental — a resposta à sua pergunta é clara e dura: Quem já detém poder, riqueza e controle sobre os sistemas globais será quem mais se beneficiará desse colapso controlado. Vamos explorar isso com detalhe:


Quem se beneficia da distopia?

Grandes Corporações Transnacionais - Empresas ligadas ao petróleo, mineração, militarismo, farmacêutico, agronegócio e tecnologia têm lucro garantido mesmo (ou especialmente) em cenários de crise. Como se beneficiam: Monopolizam recursos escassos (água, alimentos, terra); Expandem operações em áreas de conflito sob justificativas de “segurança”; Criam produtos e serviços para sobrevivência pós-colapso (ex: cidades-fortaleza, água engarrafada, energia solar de luxo). Exemplos: empresas como ExxonMobil, Bayer/Monsanto, Raytheon, Elon Musk's ventures, entre outras.

 

Elites Financeiras e Oligarquias Regionais - Banqueiros, investidores institucionais e elites locais acumulam capital através de crises, especulação e controle das economias de fome. Como se beneficiam: Compram terras e ativos baratos após desastres; Controlam sistemas financeiros internacionais (dívidas, moedas, fundos de pensão); Se protegem em "zonas seguras" enquanto o resto do mundo enfrenta caos. Exemplos: fundos de hedge, famílias bilionárias (Rockefeller, Rothschild, Walton), magnatas regionais no Brasil, Índia, Oriente Médio etc. 

 

Governos Autoritários e Regimes Militares - Crises são oportunidades para regimes autoritários consolidarem poder com discursos de “ordem”, “segurança nacional” e “salvação”. Como se beneficiam: Aumentam repressão interna sob pretexto de segurança; Isentam-se de responsabilidades climáticas e humanitárias; Usam conflitos para mobilizar populações e ganhar apoio patriótico. Exemplos: regimes de Putin (Rússia), Bolsonaro (Brasil), Modi (Índia), Orban (Hungria), Kim Jong-un (Coreia do Norte), entre outros.

 

Sistemas Neocoloniais e Potências Imperiais - Países centrais historicamente industrializados mantêm hegemonia sobre países periféricos, especialmente via dívida, exploração de recursos e imposição de agendas geopolíticas. Como se beneficiam: Garantem acesso privilegiado a matérias-primas escassas; Criam dependência econômica nos países pobres; Mantêm controle tecnológico, sanitário e energético. Exemplos: EUA, União Europeia, China (via Belt and Road/Iniciativa Cinturão e Rota), Japão, Reino Unido.


Militares e Indústria de Segurança Privada
O aumento da violência e instabilidade cria demanda por segurança, armamentos e vigilância. Como se beneficiam: Contratos milionários em tempos de guerra e em zonas de conflito; Desenvolvimento de tecnologias de vigilância e controle social; Criação de exércitos privados e mercenários. Exemplos: Empresas como Blackwater (Academi), Lockheed Martin, Raytheon, Boeing Defense, além de agências como NSA e CIA. 

 

Estruturas Patriarcais e Sistemas de Dominação - Em contextos de crise, os grupos historicamente dominantes tendem a reafirmar seu controle sobre corpos, gênero e sexualidade. Como se beneficiam: Fortalecimento de normas conservadoras e religiosas; Controle sobre reprodução e autonomia corporal; Repressão a movimentos feministas, LGBTQIA+ e comunidades dissidentes. Exemplos: governos teocráticos (Irã, Arábia Saudita), movimentos anti-gênero na Europa Oriental, bolsonarismo, etc. 

 

Por que esse sistema persiste? A crise é rentável para quem tem meios de se proteger dela; A miséria é economicamente produtiva: mão de obra barata, consumo mínimo, dependência estatal; O medo é politicamente útil: permite o controle social e a legitimação de regimes opressores. 

 

E quem paga o preço? As vítimas principais deste cenário serão: Povos indígenas e camponeses expulsos de suas terras; Populações negras e periféricas dos países do sul global; Mulheres e meninas em contextos de guerra e fome; Refugiados climáticos e migrantes forçados; Juventudes sem futuro em sistemas de exclusão. 

 

Em resumo: “Colapso com privilégio”. O cenário distópico não afeta todos igualmente. Para muitos, é morte certa; para outros, é apenas uma mudança de estratégia. 

 

E agora? Há como deter isso? Sim. Mas só se entendermos que a distopia não surge por acidente. Ela é construída por interesses específicos. E, portanto, pode ser desmontada por lutas coletivas conscientes.

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Foram essas as respostas de duas importantes IAs, uma chinesa (Qwen3) e outra norte-americana (ChatGPT). Se fizermos os mesmos questionamentos a outras IAs, os resultados serão semelhantes, pois a chamada Inteligência Artificial se baseia em informações, ideias, conceitos e hipocrisias disponibilizadas em bancos de dados comuns a todas elas. A IA não elabora respostas por si própria; dizem os fanáticos em tecnologia que ela fará isso um dia, mas, por enquanto, não.

Se as respostas de certa maneira, e com alguma variação ideológica, convergem para as mesmas conclusões a que qualquer indivíduo pode chegar, por que as soluções propostas não são colocadas em prática pelas lideranças dos países proprietários dessas IAs? Ah, sim, essa é a parte relativa à hipocrisia... 

O fato é que, se eu continuasse perguntando, talvez alguma Inteligência Artificial viesse a admitir, enfim, que esta nossa experiência civilizacional está falida, colapsando, e temos de começar tudo de novo. Mas, para que serviria a admissão desse fracasso? Afinal, a IA é tão somente um espelho da imaturidade humana. Ela cospe na tela o que somos.