A cognição está no plano atômico, no antrópico, ou no cosmológico? Para começar, devemos aprender que cognição é um conjunto de processos que o cérebro usa para adquirir, compreender, armazenar e utilizar informações provindas do ambiente e das experiências.
Do ponto de vista das menores partículas, a cognição não é uma propriedade de um único átomo, mas um fenômeno emergente gerado pela interação complexa de bilhões de átomos organizados em moléculas, células e redes neurais no cérebro. Esses são os processos biológicos que sustentam a mente e dependem de átomos específicos, principalmente carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre.
O pensamento e a percepção ocorrem quando átomos ganham ou perdem elétrons, tornando-se íons, e o fluxo desses íons através de membranas celulares cria correntes elétricas microscópicas, permitindo que os neurônios se comuniquem.
No nível molecular, os átomos formam substâncias químicas (como a dopamina e a serotonina) que fazem a ponte entre um neurônio e outro nas sinapses. Assim como uma única molécula de água não tem a propriedade de ‘molhar’ (a molhabilidade surge apenas quando várias moléculas se juntam), um átomo isolado não pensa. A cognição nasce da organização estruturada da matéria viva, transformando reações físico-químicas em percepção, memória e consciência.
Do ponto de vista antrópico, a cognição é o conjunto de processos mentais que o cérebro humano utiliza para perceber, pensar, aprender e lembrar. Em termos simples, é a capacidade que nós temos de processar informações e transformar o que captamos do mundo em conhecimento, permitindo nossa interação e sobrevivência. Nesse plano, a cognição não funciona como um computador isolado, mas engloba diversas funções interligadas que moldam nossa experiência de vida.
As principais funções: Percepção — organização e interpretação dos estímulos sensoriais (visão, audição, tato) para dar sentido ao ambiente; Atenção — Capacidade de focar em um estímulo específico enquanto filtramos distrações; Memória — Processo de codificar, armazenar e recuperar informações passadas; Linguagem — Habilidade de traduzir pensamentos em símbolos (palavras, gestos) para comunicação; Raciocínio e Lógica — Capacidade de avaliar informações, fazer conexões e deduzir conclusões; Resolução de Problemas — Aplicação do conhecimento para encontrar soluções diante de novos desafios.
Para nós, a cognição vai além da lógica pura. Ela é profundamente influenciada pelas emoções (sentimentos alteram diretamente como prestamos atenção, tomamos decisões e gravamos memórias) e contexto social (nossa cognição se desenvolve e se expressa por meio da cultura, da empatia e da convivência com outras pessoas).
Do ponto de vista cosmológico, a cognição deixa de ser apenas uma função cerebral humana e passa a ser entendida como o processo universal de sistematização, organização e fluxo de informação. Sob essa lente, o universo não é apenas matéria e energia em expansão, mas um sistema dinâmico que ‘aprende’, se auto-organiza e gera complexidade. Essa perspectiva é explorada por astrobiólogos, físicos quânticos e filósofos da ciência através de alguns pilares fundamentais:
Universo Autoconsciente — Para cientistas como Carl Sagan, a vida inteligente é o meio pelo qual o Cosmos desenvolveu a capacidade de pensar sobre si mesmo. A frase clássica “somos uma maneira de o Cosmos se conhecer” resume a ideia de que a nossa cognição é, na verdade, a cognição do próprio universo atingindo um nível de autoconsciente local.
Informação e Auto-organização — Na física moderna, a informação é vista como algo tão fundamental quanto a matéria e a energia. Do Big Bang até hoje, o universo evolui criando estruturas cada vez mais complexas (átomos, estrelas, moléculas, cérebro). Esse processo de organizar o caos e ‘computar’ leis físicas para gerar ordem é, em um sentido amplo, uma forma de cognição cósmica ou computação universal.
Inteligência Planetária e Astrobiologia — Pesquisadores contemporâneos discutem o conceito de inteligência planetária. Assim como a biosfera é a soma de toda a vida na Terra, a cognição planetária seria a rede de sistemas vivos e tecnológicos processando informações de forma coletiva para manter o equilíbrio do planeta. Em escala cósmica, a vida inteligente pode ser uma transição natural da evolução de qualquer planeta, mudando a forma como a energia e a matéria se movem pelo espaço.
Panpsiquismo e Cosmopsiquismo — No campo da filosofia da mente, vertentes como o cosmopsiquismo sugerem que a consciência ou a capacidade cognitiva não surgiu do nada no cérebro humano, mas é uma propriedade intrínseca e fundamental do próprio tecido do universo. Nós seríamos apenas ‘antenas’, ou canais onde essa mente cósmica se manifesta de forma individualizada.
Todo o que está dito acima — em itálico — me foi fornecido por uma Inteligência Artificial Generativa básica, gratuita, a partir de uma única pergunta: O que é cognição, do ponto de vista…? micro, médio e macro. Ou seja, essa IA buscou em seu imenso acervo de dados — informações extraídas de livros e trabalhos acadêmicos, artigos de revistas técnicas, reportagens científicas publicadas em revistas e jornais, etc. — a maioria, é verdade, sem o consentimento e/ou a remuneração de seus autores, o que é outra discussão —, extrai desse imenso acervo de informações uma resposta lógica (submetida à relação causal/consequencial) e coerente (isenta de contradições) para cada questão proposta.
Devo aceitar essas respostas como verdadeiras, e a partir delas elaborar reflexões? Nessa altura do campeonato, essa é a questão — usar ou não usar IA Generativa — que importa. E mais: devo ignorar essa ferramenta de trabalho, e me ater aos livros das (defasadas) bibliotecas públicas, do meu (sempre incompleto) acervo particular, ou aos diálogos que possa manter com especialistas ao redor do mundo — por cartas físicas, e-mails, ou aplicativos de conversa? —, supondo que eles me respondam?
Perceba que, na real, esse dilema não existe. Ou se tornou irrelevante porque, se o mundo analógico ainda fosse uma opção, para sermos coerentes deveríamos abandonar os computadores e voltar a escrever nossos artigos, ensaios, teses e livros em máquinas de datilografia, quiça à mão, sobre uma folha de papel pautado. Ou seja, não é intelectualmente honesto ser seletivo no uso da tecnologia. Isso é verdade sobre o computador e também sobre a Inteligência Artificial Generativa.
Mas não é exatamente de incoerência que trata este texto. Aqui se quer saber se a cognição está no plano atômico, antrópico ou cósmico. Refletindo sobre os subsídios que a IA hoje nos fornece, podemos talvez concluir que o processo cognitivo resulta dos três planos em estado de emaranhamento (misturado), se assim podemos definir um fenômeno mental em permanente retroalimentação.
Ou seja, é universal porque as questões mais profundas nos são colocadas pelo Cosmos. É antrópico porque são os neurônios humanos, em interação, que nos possibilitam formular questionamentos. E é atômico porque as moléculas que constituem nossos neurônios resultam da organização das menores partículas constituintes do, e presentes no Cosmos. E uma nova pergunta se impõe: Para que serve a cognição, se ela está entregue, ao menos neste plano terreno, a um agente finito, imaturo, arrogante e autodestrutivo?
Talvez a cognição seja mesmo um sistema dinâmico que ‘aprende’, se auto-organiza e gera complexidade. Ou, como disse Carl Sagan, a vida inteligente é o meio pelo qual o Cosmos desenvolveu a capacidade de pensar sobre si mesmo. E nossa cognição é, na verdade, a cognição do próprio universo atingindo um nível de autoconsciente local — isto é, o gênero humano. Mas Sagan era um cara otimista.
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.