Está cada vez mais difícil, e ridículo, sustentar a tese de que a Cosmologia é uma questão afeta exclusivamente a pessoas esquisitas (filósofos em geral) e alienadas (poetas em particular). Eu diria que, a esta altura de nossa História, esse argumento escapista é que constitui, ele sim!, uma atitude reacionária e profundamente prejudicial à continuidade de nossa espécie.
Relegar o Cosmos a mera curiosidade intelectual, sem relevância para a vida cotidiana das pessoas, é recusar-se a enxergar o único caminho possível — que sempre existiu, mas nunca foi admitido — para a alcançar a redenção da vida humana, ou seja, o caminho da conquista da maturidade espiritual, esse que nos possibilitará harmonizar os impasses terrenos.
Guardem estas palavras:
Nunca, jamais superaremos as sempre renovadas fraquezas humanas, essas que têm impossibilitado o aprimoramento e o avanço civilizacional — preconceito, intolerância, ódio, genocídio, guerra, tânatos —, enquanto não superarmos nossa imaturidade, o que significa finalmente compreendermos as origens e a dinâmica de nossos medos. E o primeiro passo desse caminho libertador é exatamente a aceitação da identidade cósmica do gênero humano.
Este planeta é o nosso habitat, o ambiente onde biologicamente nos desenvolvemos, a nossa morada, mas ele não nos define; nós não somos apenas terráqueos, mas também indivíduos solares, galácticos e cósmicos; mais do que ser, nós pertencemos. O que nos define é a nossa inserção no Universo, o nosso pertencimento ao Todo, ao Uno, ao Desconhecido. Será que é tão difícil, assim, entender isso, caralho?!
Quanto é difícil perceber que estamos há pelos menos doze milênios (desde que passamos de caçadores-coletores nômades a produtores de alimentos sedentários e domesticadores de animais) nadando contra a maré, contra o nosso destino, presos aos acima citados baixos instintos? É desesperador constatar a má-fé dos indivíduos que se sucedem em posições de poder mundo afora, os quais, através de decisões políticas e atitudes pessoais insistem em aprofundar o estado disruptivo em que nos encontramos.
São esses personagens eticamente desqualificados, sempre eles (e elas), que através desta História de 120 séculos têm liderado as massas rumo a sucessivos e cada vez mais profundos abismos anticivilizatórios. A responsabilidade desses indivíduos reside no fato de que, mais do que ninguém, são eles (e elas) que tiveram e têm o dever de compreender a obviedade de nossa cosmo presença, e de pelejar para que esse conhecimento libertador chegue a seus liderados, ou seja, a todos os habitantes dos países que constituem a comunidade humana.
Foda-se a propriedade privada! Foda-se a oligarquia! Foda-se o enriquecimento pessoal! Foda-se o cultivo da idolatria! Foda-se a corrida pelo sucesso! Foda-se a glorificação do narcisismo! Fodam-se as intolerâncias, os privilégios, as discriminações! Fodam-se todos os que criam e cultivam esses sistemas corrompidos e corruptores da real natureza humana!
Nossa espécie não merece essa condição desgraçada, infeliz, a que está relegada. Somos, sim, poeira de estrelas, mas somos igualmente indivíduos orgânicos, complexos, capazes de pensar. E ainda que nossa existência esteja submetida às determinações do indeterminismo orquestrado pelo Uno, e que não tenhamos absoluto poder sobre o nosso destino, ainda assim não nos é dado o direito de abdicar de nossa particularíssima condição humana.
Particularíssima porque aquilo (isto) que somos nos confere a nobre condição de ponte, de intermediários entre o que existe e o que é intuído. Somos seres em busca de completude. Este é o nosso valor incontornável e intransferível. Nenhuma inteligência artificial, mesmo a realizada no mundo das partículas subatômicas, será capaz de superar a complexidade proporcionada pela plasticidade da biologia, ela mesma decorrente de interações quânticas.
A escrita é a grande invenção. Foi a escrita, na verdade, aquilo que transformou um certo ser irracional em humano, esta espécie que domina o planeta para o bem e para o mal. Com a escrita, apenas, este blog se propõe a analisar e opinar sobre alguns dos principais temas da atualidade, no Brasil e no mundo, como qualquer cidadão faz ou deveria fazer. Meu nome é Oswaldo de Mello. Sou jornalista.