Sim, prezadas(os) leitoras e leitores, a sopa de diluição a que me referi na postagem anterior não se limita ao mundo das artes. Ela está em todos os cantos e esferas. É muito maior, mais ampla e radical do que a geleia geral apontada por Torquato/Gil em 1968. [Grande Torquato Neto, o Cosmos o tem!]
O planeta está liquefeito (à moda de Zygmunt Bauman), diluído (à moda dos liquidificadores), submetido (à moda das ditaduras) ao deus tecnologia, aquele, este, que retira dos humanos a nossa construtora insegurança. A que, santa ironia!, nos trouxe até aqui.
Pensamos agora possuir poderes ilimitados. Com nossos smartphones no bolso de trás ou da frente das calças, nas bolsas ou nas mãos elegantes das mulheres, desfilamos por aí, marchando mal-ajambrados feito tropas de SSs sem líderes, e no entanto manipuladas por algoritmos oniscientes.
Fomos reduzidos a ativos informacionais enquanto coletivos, geradores de dados que só possuem valor em seu conjunto; individualmente não somos nada. Até (ou talvez principalmente!) os nossos medos, fraquezas e ignorância são e estão monetizados.
Aqueles poucos que ainda se rebelam são, no mínimo, paulatinamente cooptados. Isto quanto aos renitentes, porque os outros, a maioria, logo se verga, abrigando-se sob uma justificativa moral de ocasião.
Sobre o século XX, Julio Sosa disse: Que el mundo fue y será una porquería, ya lo sé. A respeito deste XXI, não sei mais o que dizer, além do que decretou Umberto Eco em 2015: "O idiota da aldeia foi promovido a portador da verdade".
Minhas amigas e meus amigos, estamos no mato sem cachorro.